Empresas que estruturam sua estratégia a partir de um propósito claro e valores bem definidos apresentam maior engajamento interno, produtividade elevada e capacidade de adaptação em momentos de crise. É o que indicam estudos internacionais conduzidos pela McKinsey & Company, pela Fundação Getulio Vargas e análises publicadas pela Harvard Business Review.
De acordo com levantamento global da McKinsey, companhias com culturas organizacionais fortes têm até três vezes mais chances de alcançar alto desempenho e resultados sustentáveis. Já a FGV aponta que ambientes baseados em confiança podem reduzir a rotatividade em até 25% e elevar a produtividade em cerca de 32%.
Os dados reforçam uma tendência que vem ganhando espaço nas estratégias corporativas: propósito deixou de ser discurso institucional para se tornar elemento central de gestão.
Propósito como critério estratégico
Para Alexandre Slivnik, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, especialista em excelência no atendimento ao cliente e formação de lideranças, o propósito precisa sair do campo conceitual e orientar decisões práticas.
“Propósito não é frase inspiradora. Ele precisa orientar decisões, comportamentos e prioridades. Quando isso acontece, a empresa ganha consistência”, afirma.
Segundo ele, organizações que operam exclusivamente com foco em metas financeiras tendem a sofrer mais em períodos de pressão econômica. A ausência de coesão interna dificulta decisões rápidas e alinhadas.
“Quando colaboradores entendem por que fazem o que fazem, o engajamento aumenta. E clientes percebem essa coerência. Marcas com missão clara criam vínculos mais fortes”, diz.
Transformação cultural como ponto em comum
Relatórios da Harvard Business Review indicam que empresas que passaram por grandes ciclos de transformação na última década tiveram como ponto comum a redefinição de cultura e direcionamento estratégico.
Embora o desempenho não seja atribuído exclusivamente ao propósito, os estudos destacam que clareza de identidade e alinhamento interno são fatores determinantes para reinvenção e crescimento sustentável.
A lógica é operacional: equipes alinhadas tomam decisões com mais autonomia e segurança, reduzindo retrabalho e conflitos internos. Isso impacta diretamente produtividade, experiência do cliente e resultados financeiros.
Impacto direto nos resultados
Slivnik ressalta que os ganhos vão além da percepção subjetiva de engajamento.
“O colaborador que encontra sentido no trabalho permanece mais tempo e contribui mais. Isso impacta diretamente os resultados”, explica.
A redução de turnover diminui custos com recrutamento, seleção e treinamento. Ao mesmo tempo, equipes motivadas entregam melhor experiência ao cliente, fortalecendo a marca empregadora e aumentando a fidelização.
O risco, segundo o especialista, está na incoerência entre discurso e prática.
“Quando propósito vira apenas marketing e não prática diária, o efeito é negativo. O mercado percebe rapidamente”, alerta.
Cinco diretrizes para estruturar um propósito sólido
De acordo com Slivnik, antes de implementar qualquer ação, o propósito precisa ser traduzido em decisões concretas. Ele aponta cinco diretrizes práticas para estruturar uma cultura organizacional consistente:
Definir claramente qual impacto a empresa gera
A organização deve identificar qual problema resolve e qual transformação promove na vida das pessoas.
Integrar valores às decisões estratégicas
O propósito deve orientar contratação, promoção, desenvolvimento de produtos e relacionamento com clientes.
Preparar a liderança para dar exemplo
O engajamento acontece de cima para baixo. Se a liderança não vive os valores, a cultura perde credibilidade.
Comunicar de forma objetiva e contínua
O propósito precisa ser entendido por todos os níveis da empresa, sem complexidade ou ambiguidade.
Monitorar indicadores internos e externos
Clima organizacional, retenção e satisfação do cliente ajudam a medir se o discurso está alinhado à prática.
Escolha de parceiros exige critério
Ao contratar consultorias especializadas em cultura organizacional ou desenvolvimento de lideranças, Slivnik recomenda cautela na escolha.
“Não se trata de evento motivacional. É um processo estruturado. É preciso buscar parceiros que apresentem indicadores, casos reais e aplicação prática”, explica.
Ele defende que metodologia comprovada e resultados mensuráveis são critérios essenciais para evitar iniciativas superficiais que não geram impacto sustentável.
Quem é Alexandre Slivnik
Reconhecido internacionalmente, Alexandre Slivnik é diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando, nos Estados Unidos. É autor de diversos livros, entre eles o best-seller O Poder da Atitude, e atua como professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA/USP.
Com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos e treinamento, é considerado um dos principais especialistas brasileiros em encantamento de clientes. Foi reconhecido oficialmente pelo governo norte-americano como profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1) e realizou especialização na Universidade de Harvard.
Decisão estratégica em cenário competitivo
Em um contexto de crescimento econômico moderado e competitividade elevada, empresas que têm clareza de identidade tendem a tomar decisões mais rápidas e consistentes.
“Em momentos de incerteza, quem sabe por que existe decide melhor. E decidir melhor é o que sustenta crescimento no longo prazo”, conclui.
Os estudos apontam que cultura organizacional forte não é apenas diferencial reputacional, mas ativo estratégico capaz de sustentar desempenho, inovação e adaptação em ambientes complexos.














