Setembro Amarelo reforça importância de lideranças preparadas, comunicação aberta e políticas permanentes de saúde mental nas organizações
Resumo: Especialista aponta cinco práticas para empresas fortalecerem a saúde mental e construírem ambientes de trabalho mais seguros.
O Setembro Amarelo costuma ampliar, todos os anos, o debate sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Dentro das empresas, porém, o desafio vai além das campanhas de conscientização realizadas durante um mês específico. A construção de um ambiente de trabalho saudável depende da forma como as organizações conduzem suas relações diariamente, especialmente na atuação das lideranças, na distribuição das demandas e na abertura para que profissionais possam falar sobre dificuldades sem medo de julgamentos ou represálias.
Os números ajudam a demonstrar a dimensão desse cenário. Segundo a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil, da Serasa Experian, a proporção de profissionais que afirmaram já ter solicitado afastamento por questões relacionadas à saúde mental passou de 15% em 2023 para 20,1% em 2025.
O levantamento também revela uma distância entre o discurso institucional e a realidade vivida pelos trabalhadores. Embora 59,9% dos entrevistados afirmem que suas empresas falam sobre saúde mental, muitos ainda percebem práticas contraditórias no cotidiano corporativo. Apenas 28,2% dizem se sentir confortáveis para conversar abertamente sobre saúde mental e bem-estar no ambiente profissional.
Nesse contexto, o Setembro Amarelo ganha uma dimensão que ultrapassa as campanhas tradicionais de conscientização. Para as organizações, o período representa uma oportunidade para discutir como as relações de trabalho podem se tornar mais saudáveis e como a cultura empresarial pode contribuir para que pedir ajuda não seja interpretado como sinal de fragilidade.
Para a psicóloga e CEO da Carpediem RH, Aliesh Farias, o cuidado com a saúde mental precisa estar presente na rotina das empresas e não apenas em ações pontuais.
“O Setembro Amarelo é um importante momento para ampliar essa conversa, mas o acolhimento precisa acontecer diariamente. Empresas que colocam as pessoas no centro das decisões constroem relações mais saudáveis, fortalecem a cultura organizacional e colhem melhores resultados. Segurança emocional não é um benefício: é um dos pilares de organizações sustentáveis”, afirma.
A especialista explica que um ambiente psicologicamente seguro é aquele em que os colaboradores conseguem apresentar opiniões, tirar dúvidas, reconhecer dificuldades e pedir ajuda sem receio de sofrer julgamentos ou consequências negativas.
Esse tipo de cultura pode fortalecer a confiança entre profissionais e lideranças, melhorar a comunicação e contribuir para relações mais equilibradas com o trabalho.
A seguir, Aliesh Farias destaca cinco práticas que podem ajudar empresas a transformar o cuidado com a saúde mental em uma estratégia permanente.
1. Preparar lideranças para ouvir e acolher
A liderança ocupa uma posição central na construção de ambientes psicologicamente seguros. Gestores são, muitas vezes, o principal ponto de contato entre a empresa e os colaboradores e podem influenciar diretamente a forma como as equipes se sentem dentro da organização.
Líderes preparados para ouvir, reconhecer mudanças de comportamento e encaminhar situações que precisam de acompanhamento especializado podem contribuir para relações de maior confiança.
“O colaborador dificilmente procura ajuda se não sente confiança na liderança”, explica Aliesh Farias. “O líder precisa ser alguém que escuta sem julgamento, acolhe as dificuldades e sabe encaminhar a pessoa para o suporte adequado quando necessário.”
A preparação das lideranças não significa transformar gestores em profissionais de psicologia. O objetivo é capacitá-los para reconhecer possíveis sinais de alerta, conduzir conversas sensíveis e compreender quando uma situação exige o apoio de profissionais especializados.
A forma como um líder reage diante de uma dificuldade também pode influenciar a confiança de toda a equipe. Ambientes em que gestores respondem com punição, ironia ou exposição podem fazer com que profissionais deixem de compartilhar problemas importantes.
Por outro lado, lideranças que estabelecem relações baseadas em respeito e escuta tendem a criar condições mais favoráveis para a comunicação.
2. Criar uma comunicação aberta e respeitosa
A segurança emocional dentro das empresas também depende da possibilidade de falar.
Reuniões em que apenas gestores têm espaço para se manifestar, ambientes em que erros são tratados exclusivamente com punições ou equipes que evitam discordar por medo das consequências podem dificultar a identificação de problemas e aumentar o distanciamento entre profissionais.
Criar espaços para dúvidas, sugestões e preocupações permite que desconfortos sejam discutidos antes de se transformarem em conflitos maiores.
“Quando o colaborador percebe que pode discordar, fazer perguntas ou admitir uma dificuldade sem colocar sua posição em risco, a comunicação tende a ser mais transparente e a colaboração entre as equipes pode ganhar força”, afirma a especialista.
A comunicação aberta não significa ausência de conflitos. Divergências fazem parte da rotina profissional e podem contribuir para decisões melhores quando são tratadas com respeito.
O problema surge quando colaboradores passam a esconder opiniões, dificuldades ou erros por medo de julgamentos. Nesse cenário, problemas podem permanecer invisíveis até se tornarem mais difíceis de resolver.
Por isso, empresas que desejam fortalecer a saúde mental também precisam observar a qualidade das relações e da comunicação que acontecem diariamente.
3. Buscar equilíbrio entre produtividade e bem-estar
Metas, resultados e produtividade continuam sendo elementos fundamentais para qualquer organização. No entanto, alta performance não deve ser confundida com jornadas excessivas, sobrecarga constante e ausência de períodos adequados de descanso.
A distribuição equilibrada das demandas, a definição de prioridades, a previsibilidade da rotina e o respeito aos limites dos profissionais são fatores que podem contribuir para uma relação mais sustentável com o trabalho.
Para Aliesh Farias, o cuidado com a saúde mental também exige que as empresas observem a maneira como o trabalho está organizado.
“Produtividade sustentável depende de equilíbrio, organização e respeito aos limites das pessoas”, afirma.
O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento dos afastamentos relacionados a transtornos mentais no Brasil.
Dados analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho, com base em informações do INSS, indicam um crescimento significativo nos registros relacionados ao burnout. Entre 2023 e 2025, os casos analisados pela entidade passaram de 1.760 para 6.985, um aumento de quase quatro vezes no período.
O avanço desses números reforça a necessidade de discutir não apenas o comportamento individual dos profissionais, mas também as condições estruturais em que o trabalho acontece.
Cobranças constantes, ausência de previsibilidade, excesso de tarefas e dificuldade para desconectar podem contribuir para o desgaste das equipes. Por isso, discutir saúde mental também significa avaliar processos, metas e expectativas.
4. Transformar a saúde mental em uma política permanente
Campanhas de conscientização desempenham um papel importante ao ampliar a conversa sobre temas que ainda enfrentam estigmas. Entretanto, iniciativas pontuais não substituem políticas permanentes.
A promoção da saúde mental no ambiente profissional exige continuidade e envolvimento de diferentes áreas da organização.
Entre as iniciativas que podem fazer parte dessa estratégia estão programas de apoio psicológico, ações de educação sobre saúde mental, capacitação de lideranças, canais de escuta e políticas voltadas para a prevenção de situações de risco.
“O Setembro Amarelo é um importante momento de conscientização, mas a saúde mental precisa ser tratada durante todo o ano. O acolhimento deve fazer parte da cultura organizacional e estar presente nas decisões e práticas do dia a dia”, afirma Aliesh Farias.
Uma política permanente também permite que o tema deixe de ser tratado apenas em momentos de crise.
Quando a empresa desenvolve mecanismos contínuos de prevenção e acompanhamento, a saúde mental passa a fazer parte das discussões relacionadas à gestão de pessoas, liderança e cultura organizacional.
Essa mudança é importante porque reduz a distância entre o discurso e a prática.
Não basta promover palestras ou campanhas se a rotina continua marcada por sobrecarga, falta de diálogo e relações profissionais baseadas no medo.
5. Monitorar continuamente o clima organizacional
Criar canais de escuta é importante, mas a existência desses espaços não garante, por si só, que os problemas serão identificados.
As empresas precisam acompanhar o que acontece dentro das equipes.
Pesquisas de clima, conversas periódicas, avaliações de liderança e outros mecanismos de escuta podem ajudar a identificar sinais de desgaste, conflitos e insatisfação antes que situações menores evoluam para problemas mais graves.
Para a CEO da Carpediem RH, ouvir os profissionais de maneira contínua é uma das principais ferramentas de prevenção.
“Ouvindo os colaboradores de forma contínua, a empresa consegue agir antes que pequenos desconfortos se transformem em crises. Prevenção sempre será mais eficaz do que agir apenas quando o problema já está instalado”, afirma.
O monitoramento também permite que as organizações compreendam melhor os diferentes desafios enfrentados por cada área.
Uma empresa pode apresentar bons indicadores gerais e, ainda assim, ter equipes específicas enfrentando níveis elevados de sobrecarga ou dificuldades relacionadas à liderança.
Por isso, ouvir os colaboradores de forma estruturada pode ajudar a transformar percepções em informações úteis para a tomada de decisões.
Setembro Amarelo pode ser ponto de partida para mudanças permanentes
O Setembro Amarelo pode funcionar como um momento de reflexão para empresas que desejam avaliar o que acontece nos outros onze meses do ano.
Mais do que uma questão relacionada a benefícios ou iniciativas isoladas de recursos humanos, a saúde mental passou a integrar discussões sobre produtividade, retenção de talentos, cultura organizacional e sustentabilidade dos negócios.
A forma como uma organização distribui o trabalho, prepara suas lideranças e estabelece relações com os profissionais pode influenciar diretamente o ambiente interno.
Empresas que conseguem construir relações baseadas em confiança e respeito tendem a criar melhores condições para que dificuldades sejam identificadas e discutidas antes de se transformarem em crises.
O desafio, portanto, não está apenas em promover campanhas durante datas específicas, mas em transformar o cuidado em uma prática cotidiana.
Para Aliesh Farias, esse é o caminho para organizações que desejam construir ambientes mais sustentáveis.
A segurança emocional, nesse sentido, deixa de ser vista como um benefício adicional e passa a fazer parte dos fundamentos necessários para relações de trabalho mais saudáveis.
O Setembro Amarelo pode ampliar a conversa, mas o verdadeiro impacto depende daquilo que acontece todos os dias: nas reuniões, nas decisões, nas relações entre líderes e equipes e na maneira como cada empresa escolhe cuidar das pessoas que fazem parte de sua história.
Sobre a Carpediem RH
Sob o comando da CEO Aliesh Farias e do CFO Marcelo Farias, a Carpediem RH atua há 16 anos no mercado de gestão de pessoas.
A empresa oferece soluções em recrutamento e seleção, gestão de colaboradores temporários e efetivos, avaliações, programas de diversidade e inclusão, desenvolvimento de lideranças, diagnósticos organizacionais, coaching, hunting e implantação de estruturas de recursos humanos.
Com unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos e Ribeirão Preto, a organização afirma ter sido pioneira na implementação de processos 100% digitais sem deixar de lado a humanização no atendimento.
A Carpediem RH é tricampeã do prêmio Top of Mind de RH, com conquistas em 2023, 2024 e 2025, e obteve a certificação Great Place to Work em 2023.













